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Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo em qualquer segmento, poucas pessoas possuem a competência para seguir em frente e manter o mesmo desempenho em suas atividades por muito tempo. Em qualquer empresa funciona assim. Não seria nada diferente no esporte, onde cada vez mais o condicionamento físico é primordial para um ótimo desempenho em todas as competições. Nesta quarta-feira, além de sofrer com o Palmeiras, outra coisa me chamou a atenção: a retirada de Acelino Popó Freitas dos ringues de boxe. Muita gente achou cedo para o lutador baiano pendurar as luvas, mas eu achei simplesmente genial. Popó encerrou a carreira de lutador aos 30 anos como um grande vencedor. O baiano, cujo irmão mais velho foi lutador amador e representou o Brasil nas Olimpíadas de Barcelona em 1992, ostenta nada menos do que quatro títulos mundiais em duas categorias diferentes e se transformou no maior boxeador da história em nosso País. O dilema de encerrar a carreira ronda esportistas em geral. O sujeito pode ser o melhor naquilo que ele se propôs a fazer por anos, mas se tem uma caída brusca por questões físicas, será taxado como acabado. Um bom exemplo é o do tenista Gustavo Kuerten. Tri-campeão de Roland Garros, um dos quatro maiores torneios de tênis do mundo, em algumas situações Guga chegou a ser ridicularizado pela imprensa esportiva nacional, sendo que no Brasil não existem 5 jornalistas aptos a falar sobre o esporte com conhecimento de causa. Guga já poderia estar curtindo a vida, pendurado as raquetes e pronto. Mas acredita que ainda pode voltar a jogar em alto nível. É esperar para ver. Agora, olhando para a estrutura toda que envolve o Palmeiras desde sua diretoria até boa parte de seu elenco, pode-se entender porque a equipe está na 14ª colocação do Brasileirão com 33 pontos, 20 a menos que o líder. Existe gente, dentro e fora do campo, que não teve a percepção que o boxeador baiano teve. E isso não é questão de idade, tem a ver com evolução, acompanhamento das tendências de mercado, de como negociar com empresários, jogadores novos e mais velhos, duração do tempo de contrato, adequação à Lei Pelé e ao Estatuto do Torcedor. Essa gestão não
precisa necessariamente ser feita por alguém novo. Essa não
é a questão. A reciclagem que o Palmeiras necessita é
estrutural. Quem precisa pendurar a chuteira, precisa primeiro ter discernimento
para entender que isso é um ciclo natural em todas as profissões.
Para retomar o caminho das vitórias é preciso pensar diferente,
olhar tudo de uma forma mais profissional, afinal, nenhum jogador de futebol
de 40 anos é contratado pelos gols que marcou quando tinha apenas
20. Ou é?!
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