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Depois de anos o Palmeiras volta a investir num time competitivo. Mesmo assim a torcida continua desconfiada e ranzinza. Os tempos de "caldeirão verde" se foram?
A fama do palmeirense como torcedor apaixonado, mas também muito crítico em relação ao que o time apresenta em campo já foi cantada em prosa e verso. Bendito efeito colateral de uma história repleta de títulos e não só isso. Repleta de um futebol vistoso, que sempre nos deu mais sabor às vitórias, fazendo-as incentestáveis, acachapantes. Somado a este hábito salutar, está a personalidade da torcida, que por mais eclética que tenha se tornado após décadas e décadas de expansão, ainda possui uma coluna dorsal formada por costumes que valorizam a livre opinião, a expressividade, a família, o falar alto. O resultado disso não poderia ser mais explosivo: uma torcida que comparece. Mas cobra e cobra muito. Mas se a exigência do palmeirense é histórica, hoje está inflacionada por fatores isolados. Um deles é o longo tempo de sofrimento com times limitadíssimos. Com exceção da "ascenção da série-B" (onde a torcida comapereceu brilhantemente) e a geração Vágner, nos últimos 4 anos o palmeirense teve muito pouco a comemorar. Vexame após vexame, as apresentações do Palmeiras tornaram-se um desafio ao torcedor mais apaixonado. Ou não chegamos a ver amigos próximos praticando (e pregando!) a abstinência aos estádios? Ou não "sofremos" para conquistar novos torcedores entre a petizada de hoje? Outro fator é a "distância" que se criou entre a maioria da torcida e aqueles que normalmente "puxam o coro" nas arquibancadas. Um grande e atuante setor da torcida que enxerga, no torcedor, mais que um espectador. Tem a consciência que a torcida não está ali só para ASSISTIR o time, mas para AJUDÁ-LO a conquistar a vitória. E para isso, está disposto a sufocar sua indignação e continuar incentivando, se isso contribuir à vitória do Palmeiras. Essa consciência é fruto de uma ação planejada e da observação de que os rumos tomados pela atual diretoria merecem crédito. Mas infelizmente, essa percepção ainda não parece muito bem assimilada por alguns torcedores. Setores da torcida, sem uma diretriz planejada de atuação e ainda mais, exaltada pelo comportamento coletivo que o ser humano demonstra nessas situações, age respondendo aos impulsos primários, soltando o verbo, xingando o time e desopilando o fígado. Sente-se no direito e aliviada por xingar o jogador, criticar. Sente-se até feliz por não fazer parte daquela infâmia. Só que acaba se esquecendo de aplaudir o há de bom e incapaz de ver o que pode melhorar. Passa só a criticar. É aí que o sujeito vira uma corneta, incapaz de emitir qualquer som mais agradável. Só buzinação fruto de um impulso visceral de atirar pedras em alguém. Para que o Palestra Itália volte a se transformar num caldeirão verde, fervendo em cima do adversário, é importante extrair uma lição dessa conjuntura. O Palmeirense pode escolher a PASSIVIDADE de esperar um time que lhe encha os olhos para que conte com seu apoio, ou a ATITUDE de ajudar a formar um time campeão. Mas na comemoração, apenas um desses caminhos lhe trará o gosto verdadeiro de ter feito parte da conquista.
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