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Pode ser pela presença de um longo período inflacionário no país, quando ninguém conseguia "se programar" de forma adequada e todos os projetos tinham caráter imediato. Ou ainda por sofrermos do "Poder dos Trópicos", que tanto nos deixa indolentes quanto despreocupados com o dia de amanhã, limitando nossa visão ao "hoje", e só. A verdade é que o brasileiro sofre de impaciência crônica profunda. Para nós, o amanhã é tão vago quanto improvável. Pedir "paciência" a alguém para que haja tempo hábil dos esforços empreendidos se consolidarem parece uma heresia. Pena que tal urgência de ação não se aplique a reivindicações sócio-políticas, campo no qual o brasileiro é visto como manso e acomodado, incapaz de se movimentar sem carregar consigo bandeiras partidárias ou setoriais. Mas isso é outra história... O fato é que o futebol cumpre, tal como foi criado para, sua função de catarse social, servindo de bode-expiatório à quaisquer insatisfações populares. E não é desconhecido de ninguém que insatisfação é algo que sobra por nossas bandas. E isso acaba refletindo onde? No futebol. Inflamado por uma mídia sensacionalista, que explora o que há de mais vil no anseio humano, o cidadão-torcedor não pode ter paciência. Tal virtude mais lhe parece uma ordem de conformismo eterno com a situação. Ora, "temos" que nos calar perante improbidades políticas escorchantes. Mas não o faremos em campo esportivo. No futebol não! E o que acontece? Uma cobrança prematura por resultados que só vem a acontecer com tempo de maturação das sementes que foram plantadas. E é essa paciência que o brasileiro não tem. Cabe a nós, mais uma vez, mostrar como se faz. Nem o melhor dos times consegue resultados imediatos. Quando o Palmeiras acertou sua parceria em 92, trouxe vários jogadores gabaritados. Ganhamos? Não. Foi só depois de 1 ano que as conquistas começaram a vingar. Quando o, agora badalado, time santista montou seu jovem time, ganhou? Não. Se tal insucesso fizesse com que o time fosse considerado inadequado, causando seu desmanche, provavelmente até hoje ainda estariam amargando sua fila. Como não tinham outra alternativa, tiveram que manter a mesma base. E o resultado vemos hoje. Por isso dizemos: irmãos Palmeirense, tenhamos PACIÊNCIA! Será ela o alimento de nossas próximas conquistas! Passamos anos nos indignando perante uma política que mesclava austeridade financeira e falta de apreço pelo Depto. de Futebol Profissional A (o B é o Verdinho). O resultado dessa fusão foram anos de "times limitados" e vexame após vexame. Mas também uma situação financeira que permitiu ao clube, finalmente, investir de forma séria, encarando a conquista de títulos como algo tangível e não como uma possibilidade remota, como aconteceu anos atrás. Hoje, Palmeirense, o clube está se voltando ao futebol. Possui um presidente que gosta do futebol! Está voltando a investir. E isso, tal como a administração passada merecia nossas vaias, merece nossos aplausos. Merece nossos aplausos e mais que isso, nossa PACIÊNCIA. Que se não é eterna, também não deve ser tão limitada. Porque os resultados NÃO ACONTECEM DE UM DIA PARA OUTRO. Palmeirense: apoiar o time não é apenas cantar e vibrar dentro do estádio. É demonstrar PACIÊNCIA que se origina da compreensão de que torcemos para um time que possui uma camisa de força sensacional e que sementes foram plantadas. E que se não soubermos esperar o tempo que traz o IMPRESCINDÍVEL e FUNDAMENTAL ENTROSAMENTO, jamais conquistaremos os frutos dessa colheita. Hoje, a compreensão de que o time, independente de técnicos ou contratações, precisa de TEMPO para amadurecer e se entrosar, é o maior apoio que podemos fornecer ao Palmeiras.
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