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Sem dúvida, o Palmeiras vive um momento singular em sua história. Primeiro, pela presença de uma nova presidência após 12 anos de administração Mustafá Contursi. Mas o que tem realmente agitado as alamedas da r. Turiassú é o embate cristalino entre duas visões administrativas distintas. Uma é representada pelo presidente Affonso Della Monica, disposto a dar mais atenção ao Depto. de Futebol do clube, promovendo mudanças e investindo parte dos recursos acumulados com a venda de jovens revelações ao exterior. Outra, que não se personaliza tanto, é representada pelas vozes que, nas palavras do técnico Candinho, recém demitido, "remam contra" as decisões da Diretoria e questionam a necessidade de investimentos no futebol, ou qualquer coisa que não siga o mesmo modelo administrativo que vinha sendo praticado pela antiga presidência. Por motivos óvios, é desnecessária a cogitação sobre quem faria parte desta corrente. O caso ficou evidente com as declarações de Candinho e Moracy Sant'Anna, demitidos após péssimas atuações da equipe. A despeito da qualidade de trabalho que conseguiram impor ao time, ambos foram claros ao relatar que as decisões da Diretoria de Futebol, sob batuta da presidência, sofrem boicote direto de outros membros Diretores, ainda atrelados à antiga prática administrativa, avessa a maiores investimentos no Futebol. O preparador Moracy Sant'Anna chegou a comentar que a intertemporada que a equipe realizou em Itú foi vista como um desperdício por alguns. Essencial para o bom desenvolvimento físico do elenco, mas com efeitos perceptíveis apenas a longo prazo, a intertemporada foi realizada num local que reunia uma logística mais adequada a recuperação e preparação dos jogadores. O benefício oferecido pelo contato do elenco com tal logística é tanto que o próprio Moracy Sant'Anna apresentou um esboço do que o clube deveria adquirir em equipamentos e fazer em reformas na Academia de Futebol, para voltar a integrar o grupo de equipes nacionais com maior estrutura oferecida a seus atletas. Nada além de R$700.000, quantia muito inferior a já despendida por outros clubes nacionais. Porém, mais uma vez, a indisposição contra os investimentos ficou evidente. A iniciativa foi vista com uma desconfiança que sugeria interesses particulares por trás dos investimentos. Com tais exemplos, ficou delineado o embate político em voga atualmente no clube. Isso por que as iniciativas em curso (as quais sofrem oposição) representam as menores dentro do possível, uma vez que os vencedores da última eleição eram da própria situação e não da oposição! Para nós, não resta dúvida. Embora a antiga gestão ainda seja reconhecida pelas saudáveis condições financeiras que deixou ao clube, ela não desperta saudades sobre como investia (pouco e mal) no Departamento de Futebol Profissional. Por isso, todas as iniciativas que denotem maior atenção e investimentos nessa área, são apreciados como "água no deserto" para uma torcida exaurida por anos de vexames. É nesse limiar que vivemos. De uma presidência que se dispõe a voltar a investir no Depto. que é o carro chefe da imagem do clube perante o mundo e de uma "situação opositora", incapaz de antever frutos nessa modernização. Se um investimento de R$ 700.000 em sua estrutura é malvisto por alguns Diretores, podemos imaginar que futuro tais mentes imaginam para o próprio Palmeiras.
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